Este estudo é o primeiro de uma série de três sobre políticas de género e feminização da pobreza em Moçambique, a realizar no período 2008-2010. Os estudos combinam uma avaliação crítica das políticas do actual governo e dos doadores com uma avaliação da tese de uma feminização da pobreza no país. O nosso principal argumento neste relatório é que a recente ‘integração' ou ‘essencialização' das políticas de género, grandemente impulsionada pelas agendas internacionais, implica o risco de desenhar políticas que não têm relação com a realidade nacional, económica e sócio-cultural. As relações de género são essencialmente constituídas socialmente e serão entendidas diferentemente e terão diferentes expressões em diferentes cenários sócio-culturais. Além disso, embora as diferenças nas condições materiais de rendimento e bens, entre homens e mulheres, sejam uma parte importante da feminização da pobreza em curso em Moçambique, esta também envolve questões relacionadas com a falta de voz activa e de poder em relação às instituições da sociedade e do estado, vulnerabilidade perante situações adversas e a capacidade de as enfrentar através de relações sociais e das instituições legais.