Embora as instituições sejam importantes para o desenvolvimento económico, particularmente em países ricos em recursos, a interacção entre empresas multinacionais e as instituições do país anfitrião não é inteiramente compreendida. Este artigo apresenta um estudo de caso detalhado das actividades de RSE de companhias petrolíferas multinacionais em Angola. Os resultados mostram que a RSE é de um modo geral relativamente pouco importante para obter licenças e contratos em Angola. Na medida em que a RSE é valorizada, parece ser usada estrategicamente pelas empresas para aumentar as suas possibilidades de ganhar licenças e contratos. Além disso, as companhias petrolíferas não tratam de problemas de governance em Angola. Estes resultados têm implicações nas teorias da maldição dos recursos e da RSE estratégica. Usando estrategicamente a RSE há um risco das empresas multinacionais facilitarem os problemas de patronage em países ricos em recursos, exacerbando a maldição dos recursos. Além disso, o pressuposto habitual de que as ‘boas’ instituições são do interesse das empresas, ignora as consequências distributivas da reforma institucional. O fracasso em lidar com problemas de governance pode assim reflectir uma complacência colectiva das empresas, mais do que problemas de acção colectiva.